O uso de medicina chinesa na gravidez

Ao analisar o uso da medicina chinesa na gravidez é possível dividir o seu uso em 3 fases: antes da gravidez, durante a gravidez e após a gravidez.

De notar que cada uma destas etapas apresenta problemas diferentes e implicam alterações relevantes nas escolhas de terapêuticas a aplicar e na forma como devem ser pensadas ou prescritas.

Vamos analisar cada uma das etapas no uso de medicina chinesa na gravidez.

Antes da gravidez

O uso de medicina chinesa antes da gravidez pode ser aplicada em problemas como infertilidade, regulação do ciclo menstrual, ansiedade para tratamentos de infertilidade.

Infertilidade: neste caso recorre-se a uma combinação de farmacologia com acupuntura sendo a fitoterapia o tratamento mais importante. De notar que muitas pacientes também fazem tratamentos de fertilização in vitro pelo que os tratamentos de fitoterapia devem ser coordenados de forma a não interferir com os outros tratamentos. Por exemplo alguns fitoterápicos usados podem potencializar os efeitos anti-coagulantes de medicamentos ocidentais usados nos tratamentos de infertilidade. Deve evitar-se as interações farmacocinéticas não controladas.

medicina chinesa na gravidez

Os tratamentos de infertilidade são tratamentos de longa duração com alguns problemas associados.

Regulação do ciclo menstrual: uma técnica que pode ser usada para aumentar as probabilidade de fertilidade do casal, especialmente se associada a conselhos sobre práticas sexuais que potenciem as capacidades reprodutivas do casal.

Os tratamentos usados são a fitoterapia e a acupuntura sendo a fitoterapia o mais importante.

Ansiedade: a acupuntura pode ter grande utilidade no alivio da ansiedade existente nas pacientes quando fazem tratamentos de fertilização in vitro. A diminuição da ansiedade vai ajudar a paciente a responder melhor aos tratamentos médicos.

falar de estudos com angélica chinesa em ratos fêmea expostos a radiação

Durante a gravidez

Durante a gravidez a farmacologia chinesa deve deixar de ser usada. A acupuntura ganha relevo na medida que pode substituir a fitoterapia e a medicação ocidental. Para muitos sintomas durante a gravidez a acupuntura deveria ser tratamentos de primeira escolha.

Durante a gravidez a acupuntura pode ser usada com grande sucesso no tratamento de imensas queixas entre as quais se encontram:

Tratamento da dor.

Tratamento de insônia.

Bebê pélvico

Facilitar trabalho de parto: a acupuntura pode ser usada para facilitar o trabalho de parto.

Após a gravidez

Retenção placentária: tradicionalmente a acupuntura é aconselhada no tratamento de retenção placentária. Devido à especificidade da queixa não é algo em que os acupunturistas ocidentais tenham muito experiência.

Depressão pós-parto: o problema mais comum. Devido à amamentação a mulher deve evitar medicação pelo que a acupuntura pode ser uma terapêutica bastante importante. A depressão profunda não responde à acupuntura mas os estudos científicos tem mostrado que depressão leve e depressão moderada respondem muito bem à acupuntura.

Conclusão sobre medicina chinesa na gravidez

A medicina chinesa na gravidez pode ter um papel importante a desempenhar em 3 etapas diferentes. Pode ser relevante em tratamentos de infertilidade ou para auxiliar os mesmos. A medicina chinesa na gravidez é relevante pois não possui os efeitos da medicação e é indicada para muitos dos problemas de saúde que podem surgir durante a gravidez. Finalmente a medicina chinesa pode ser uma ajuda relevante em alguns problemas após o parto como depressão pós-parto.

Fonte: Acuforma

Conheça uma pouco da fisiologia feminina segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Os primeiros registros no ramo da ginecologia na MTC datam da dinastia Shang (1500 a 1000aC.) (Maciocia, 2000). Para que as particularidades fisiológicas da mulher como a menstruação, leucorréia, gravidez, parto e lactação ocorram de maneira harmônica, é necessário que haja Qi (energia) em abundância, bem como Xue (sangue) além de boa circulação nos vasos sanguíneos e órgãos em bom funcionamento (Auteroche et. al 1987). As mulheres pertencem ao Yin, mas apresentam alguns aspectos fisiológicos Yang. As estruturas que fazem parte fundamentalmente na fisiologia feminina incluem Sangue (Xue), Rins, Fígado, Baço, Coração, Pulmões e Estômago, além dos canais Chong Mai, Ren Mai, Du Mai e Dai Mai. (Maciocia, 2000)

Estruturas Fundamentais na Fisiologia Feminina:

A Matriz: A Matriz se trata do aparelho genital feminino e abrange o útero, os ovários e as trompas. É uma víscera irregular e possui relação direta com o Rim permitindo-lhe a ação no acontecimento da menstruação, na fecundação e na gestação.

A relação do Qi e do Xue: O sangue representa a parte material da menstruação, mas sua criação, seu controle dependem do Qi. “O Qi é o comandante do sangue.” Na mulher, o sangue precisa do impulso do Qi para atingir o “mar do Sangue” (Xue Hai) e se concentrar na matriz (Bao Gong) a fim de produzir a menstruação. E é através do controle que o Qi exerce sobre o xue que as regras possuem regularidade.

Por este motivo, a terapêutica propõe regularizar, em primeiro lugar, o Qi e o sangue, pois as enfermidades do sangue atingem obrigatoriamente o Qi assim como o oposto também ocorre.

Rins: Localizados no Aquecedor Inferior, armazenam a Essência (Jing), são a base de Yang e do Yin, controlam os líquidos, recebem o Qi, controlam os ossos e geram a medula. Os Rins controlam nascimento, crescimento, desenvolvimento, reprodução e envelhecimento. “Os Rins unem-se com o útero através do Envoltório Energético do Útero (Bao Mai), canal da Concepção (Ren Mai) e Canal Penetrante (Chong Mai) e são vitais para os processos da concepção, da gravidez e do parto.” (Ross, 1985)

Quando o Qi dos Rins está em bom estado, o Jing e o sangue são suficientes, a circulação nestes vasos flui normalmente e a menstruação ocorre no tempo certo.
Segundo Auteroche (1987), se o Qi dos Rins for insuficiente ou então se o Yin ou Yang dos Rins estiverem enfraquecidos, ocorre um desequilíbrio, os vasos Chong Mai e Ren Mai ficam afetados e as doenças ginecológicas aparecem.

Fígado: Localiza-se na região do hipocôndrio direito. Suas funções são de manter livre o fluxo do Qi, armazenar o sangue, controlar a dispersão, a drenagem e determinar as condições dos tendões e dos ligamentos. A função do fígado de manter livre a circulação do Qi é também importante na fisiologia da menstruação, onde deve haver um fluxo uniforme e desobstruído de Qi e de sangue. O Fígado é o órgão mais importante com relação à sexualidade e ao ciclo menstrual, pois possui a função de armazenar o sangue combinada com o controle que exerce no baixo ventre. O Fígado libera o sangue armazenado quando o organismo solicita, o que garante o funcionamento da menstruação.

Baço: Localiza-se no Aquecedor Médio. Sua função é controlar o transporte e a transformação dos nutrientes além de controlar o sangue, os músculos e os membros e manter fixos os órgãos. O Baço e o Estômago estão diretamente relacionados à formação de xue. É nestes órgãos que os alimentos são decompostos e transformados para em seguida subir ao coração onde se tornam sangue. “Pôr o Baço e o Estômago em harmonia, equivale a regularizar o Qi e o Sangue.” (Auteroche et. al 1987). Se o Qi do Baço/Pâncreas for deficiente, o Jin Ye não pode ser transformado adequadamente. Por outro lado, se a função de transporte for deficiente, o Jin Ye acumula-se formando edema e o aparecimento da umidade que poderá evoluir para mucosidade, que é mais pesada, espessa e pode causar bloqueios e obstruções. A mucosidade está relacionada com a Deficiência do Baço/Pâncreas.

Coração: Localiza-se no tórax, possui como função o controle do sangue dentro dos vasos sanguíneos e o controle das atividades mentais. O coração domina o sangue. Ele é responsável pela sua circulação e chegada às patês mais distantes do organismo. Ele expande o potencial do sangue, que é Essência, a todos os tecidos, impulsionado pelas artérias. Com isso a pele torna-se macia e úmida, o que confere a ela seu brilho natural.

O Pericárdio é outra função do elemento fogo e o braço ativo na distribuição do sangue do coração, em especial ao útero, onde promove o aparecimento das regras. Ele também é uma barreira de proteção ao coração contra os fatores nocivos que podem penetrar no organismo para causar doenças.

Pulmões: Estão localizados na caixa torácica. Apresentam a função de controlar o Qi e a respiração, comunicar e regular as vias dos líquidos e controlar a difusão e descida.

O pulmão recebe as partes puras do Jin Ye do Baço/Pâncreas fazendo a separação e a transformação que as fazem circular pelo corpo.

Papel dos Zang Fu e dos meridianos extraordinários

Relação entre Qi do Baço/Pâncreas e Yang dos Rins em deficiência

Os rins são responsáveis pela constituição pré-natal, enquanto o Baço/Pâncreas é responsável pela constituição pós-natal. Neste processo é necessário o yang dos rins para ativar a digestão e o processo da digestão é importante para reabastecer a Essência.

Uma das funções importante do Chong Mai é a de conectar os Rins com o Baço/ Pâncreas, unindo o Qi pré-natal ao Qi pós-natal.

Se o estômago e o Yang do Baço/Pâncreas estiverem deficientes, as funções de transformação e de transporte do Baço/Pâncreas serão lesadas de modo que a formação de Qi e Sangue será insuficiente, o Jin Ye não será metabolizado de maneira correta formando-se o Jin Ye turvo que se acumula e forma edema e mucosidade.

Relação entre Qi do Pulmão e Yang dos Rins deficientes.

Se o Yang dos Rins estiver deficiente, as atividades dos Rins, do Baço/Pâncreas e dos Pulmões de transformação e de circulação de Jin Ye ficarão danificadas e o Pulmão não encaminhará corretamente os líquidos para os Rins, assim como estes não poderão encaminhar o Qi para o pulmão, este fato resultará em acúmulo de umidade na parte baixa, edema, cistos e distúrbios urinários.

Canal Chong Mai

O Chong Mai também chamado vaso Distribuidor é um canal que tem origem nos rins. No entanto, ele não tem um trajeto próprio na superfície da pele, utilizando-se de pontos e fazendo a união dos canais regulares do estômago e dos rins para que sua energia possa fluir. No interior do organismo ele envolve o útero e é responsável pelo sangue que ciclicamente lá se concentra, para permitir a nutrição do feto ou o aparecimento da menstruação.

Trata-se do canal mais vital, atinge a região da cabeça até os pés. Este canal dirige e normaliza a Energia e o Sangue de todos os canais.

Nas mulheres, quando o corpo está pronto para a menarca, os Zang Fu têm Qi e Xue suficientes, o Mar do Sangue está cheio e as menstruações podem surgir.

Quando Chong Mai está doente, há perturbações nas menstruações, podendo ocorrer amenorréias, leucorréias entre outras.

Canal Ren Mai

Este canal é representado como um canal energético que circula na região da linha média anterior do corpo, superficialmente, após se exteriorizar vindo do interior do organismo, especificamente dos rins. Ele também tem um trajeto intimamente relacionado com o útero e exerce importante papel funcional sobre a capacidade reprodutiva. Com o desenvolvimento pleno da energia dos rins ele entra em funcionamento, abrindo-se à circulação plena de energia.

O Ren Mai domina todos os canais Yin do organismo. Começa no útero e possui a função, nas mulheres, de nutrir o feto.

“A Essência (Jing), o Sangue e os Líquidos Orgânicos (Jin Ye) dependem todos de Ren Mai, pois os três meridianos Yin se juntam a Ren Mai.” (Auteroche, 1987)

Quando o Qi circula normalmente em Ren Mai, as menstruações e as gestações são normais e quando Ren Mai está doente aparecem leucorréia e massas abdominais.

Canal Du Mai

Este canal percorre a linha média dorso-lombar e possui a função de governar todos os canais Yang do corpo.

Os meridianos Du Mai e Ren Mai firmam o equilíbrio do Yin e do Yang e a livre circulação do Qi e do Sangue e permitem, portanto, a chegada da mesntruação de maneira regular.

Canal Dai Mai

É um canal em forma de cinturão que envolve todos os outros canais. Quando debilitado nas mulheres, leva à leucorréia, que é causada pela disfunção do Baço/ Pâncreas no transporte.
Possui o papel de restringir os meridianos do corpo.

Conclusão: Faz-se necessário o conhecimento anatômico, fisiológico ocidental e fisiológico oriental para raciocinar adequadamente em qualquer tratamento ginecológico com MTC. Na verdade, devido à sua peculiaridade, faz-se necessário entender as diferenças e particularidades fisiológicas energéticas para o tratamento de qualquer distúrbio, mesmo que não ginecológico, de uma mulher. A partir do que foi exposto, pela sua relação com o sangue, todos as patologias que afetem o sangue, irão ter um efeito mais preocupante nas mulheres.

Fonte: CETN

Acupuntura provê maior alívio as dores crônicas, afirma pesquisa alemã

Segundo resultados de pesquisa realizadas pelo Instituto de Acupuntura Alemã (GERAC), o método oferece melhores resultados diante de dores crônicas do que os tratamentos convencionais.

As pesquisas da GERAC envolveram 1.162 pacientes que padeciam de doenças e dores crônicas por uma média de oito anos. Aleatoriamente, todos eles foram submetidos a tratamentos de acupuntura baseados na medicina tradicional chinesa; na acupuntura alternativa baseada em pontos não compreendidos pela acupuntura tradicional chinesa; ou em terapias convencionais com drogas, terapias e exercício.

Depois de seis meses, ao redor de 48% daqueles que estavam sob o tratamento da genuína acupuntura reportaram melhora na sua condição.

Ao redor de 44% dos que estavam sob o tratamento da acupuntura alternativa, disseram que haviam experimentado melhora similar, contrastando com somente 27,4% daqueles que foram tratados com a medicina convencional.

Os resultados do estudo, realizado por Michael Haake e sua equipe na Universidade de Regensburg, foram publicados na revista médica Archives of Internal Medicine (Arquivos de Medicina Interna). Esse é o estudo mais extenso conhecido até o momento no que se refere ao alívio da dor através da acupuntura.

Na China antiga, acreditava-se que a medicina tradicional chinesa é um legado de seres divinos e que tem características extraordinárias devido a essa ligação superior com o universo.

Fonte: Epoch Times

Tontura em idosos – Estudo de caso com auriculoterapia chinesa

Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni – CETN

A tontura pode ser gerada por mecanismos fisiopatológicos diferentes descritos como sensação de desequilíbrio, instabilidade, flutuação, rotação, cabeça oca, entre outros. Atualmente a ciência dispõe de uma variedade de exames complementares, porem eles não avaliam bem a função vestibular. Isto posto pode-se dizer que os motivos causadores das tonturas são de difícil diagnóstico, uma vez que a tontura é um sintoma inespecífico. (BASTOS; LIMA; OLIVEIRA 2005).

Segundo Fonseca, Davidsohn (2006) o equilíbrio é o estado contrabalanceado que surge com a movimentação. Sendo assim a vertigem com sensação de rotação, é sempre de caráter labiríntica, onde qualquer movimento da cabeça acarreta o deslocamento da endolinfa, podendo acarretar novas crises de tontura. Vários órgãos estão envolvidos na manutenção do equilíbrio, os principais são o labirinto, os olhos, os músculos, as articulações e os tendões. As informações acendidas por esses órgãos são processadas pelo cérebro controlando o equilíbrio (GUYTON; HALL, 2006).

O ouvido interno, também designado labirinto, envolvido na manutenção do equilíbrio, é formado por esqueleto ósseo ebúrneo, que contém no seu interior o labirinto membranoso. Divide-se em dois, o anterior formado pela cóclea a qual é destinado a funções auditivas, e o outro ao aparelho vestibular, formado por canais semicirculares, que participam da função do equilíbrio. Entre esses dois interpõem-se pequenas cavidades denominada vestíbulo. No interior do ouvido é encontrado um líquido chamado endolinfa, que ao movimentar a cabeça estimula a células ciliadas, que enviam impulsos nervosos ao cérebro informando a direção dos movimentos da cabeça e do corpo, para cima, para baixo, para frente, para trás de um lado para o outro e movimento de rotação. Os olhos informam a posição do corpo no espaço, os músculos e articulações informam quais os movimentos estão sendo executados e quais as estrutura orgânicas estão envolvidas. Se algumas dessas informações não forem coerente o resultado pode ser tontura e enjôos na adaptação do sistema a nova realidade (PORTO,2005).

De acordo com Bittar, Bottino, Zerati, et all (2003) vários distúrbios de equilíbrio, originário no sistema vestibular são de origem metabólica, distúrbio esse que acomete grande parte da população idosa.

No aspecto da alteração metabólica que envolve o fornecimento de energia como disfunções da glicose e da tireóide, são potenciais geradoras de tonturas, uma vez que o labirinto é sensível às variações da glicose, já o fornecimento de oxigênio é responsável pelo funcionamento de bomba Na/K e na conservação do potencial endococlear, a viscosidade sanguínea, com elevação de colesterol pode comprometer o fluxo e resultar em dano funcional ao labirinto. Isto posto, pode-se dizer que, entre os distúrbios metabólicos mais aceitos como responsáveis por essas alterações de equilíbrio, esta a diabetes, hipoglicemia reativa, hiperinsulinemia, distúrbio da tireoide, os relacionados ao metabolismo lipídico e as variações hormonais da mulher (BITTAR,BOTTINO,ZERATI, et all,2003).

Etiologias da tontura segundo a medicina tradicional chinesa
De acordo com a medicina ocidental a tontura esta fortemente ligada ao ouvido como órgão responsável pelo equilíbrio, juntamente com os olhos, os músculos, as articulações e os tendões (GUYTON; HALL, 2006). Podendo ocorrer por uma pequena mudança de postura, onde qualquer movimento da cabeça pode acarretar nova crise, até a perda total do equilíbrio e sensação de que tudo gira (PORTO, 2005).
Na medicina chinesa a patologia tem um significado bem diferente da medicina ocidental, ela não faz analise das mudanças patológicas a nível microscópico, nem considera as mudanças no tecido e na química do corpo. Ela avalia o processo geral da doença, como os fatores patogênicos contra o Qi, e o equilíbrio entre Yin e Yang (MACIOCIA, 2007).

Interpretação do distúrbio do equilíbrio segundo a MTC
Segundo Maciocia (2007), a labirintite é uma manifestação de vento e umidade que penetra no fígado causando tontura. Qualquer alteração que afete energeticamente o fígado pode ocasionar tontura, as mais comuns são a Raiva, frustração, ressentimento e magoas, além de excesso de trabalho e atividade sexual. Assim pode-se dizer que a vertigem é uma manifestação de vento interior, decorrente da subida do Qi do fígado para parte superior do corpo, como tremor, tique, entorpecimento, tontura, vertigem, dor de cabeça,convulsões ou paralisia, os sinais de vento interno são caracterizado por movimento ou ausência de movimento. A sensação de tontura é uma queixa comum especialmente em idosos, podendo ser um sintoma de vento no fígado ou fleuma ou de ambos que são fatores patogênicos presente no golpe do vento (MACIOCIA, 2005).

O vento esta ligado ao inicio de abundantes enfermidades, o frio a umidade, a secura e o calor agride o organismo apoiando-se no vento, formando as síndromes, todos os ventos pertence ao fígado. O vento é fator yang, cuja natureza é fazer abrir, escoar. O vento muitas vezes prejudica a parte superior do corpo, sendo da sua natureza o movimento, indicando que uma doença causada pelo vento é caracterizada por agitação, como ofuscação da vista, vertigens, tremores, espasmo dos membros, nuca rígida e epistótonos. (AUTEROCHE; NAVAILH, 1992).

A tontura pode ser decorrente de quatro fatores Vento, Yang, Fleuma e Deficiência os sintomas que a acompanham é que apontará o fator que leva a ela (MACIOCIA, 2005).

As síndromes causadas pelo vento interno é uma afecção do fígado, podendo apresentar sintomas como tonturas, convulsões dos membros, intumescimento dos membros, tremores e rigidez de extremidades, desmaios súbitos, sincope, desvio da boca, dos olhos, assim como alterações emocionais
(YAMAMURA, 1993).

Estudo de caso:
O estudo foi realizado com um paciente do sexo feminino de 67 anos, com tontura postural, sem diagnóstico definido. Tendo sido elaborado um protocolo de tratamento de auriculoterapia chinesa, com menor numero possível de pontos, utilizando sementes escuras, com 10 sessões. Buscou conhecer a eficácia da terapia na eliminação dos sintomas da tontura.
Posteriormente foram observados e analisados os resultados obtidos a cada sessão
Caso: Mulher de 67 anos afere sentir tontura postural o dia inteiro, perante qualquer movimento brusco com a cabeça (quando esta deitada e levanta rapidamente, quando abaixa para pegar algo no chão e quando direciona o olhar para o alto, assim com em movimento lateral e rápido com a cabeça), alega estar sentido esta tontura a cerca de oito meses à um ano. Vem tendo também olho seco, e derrames oculares (hiposfagma, sangramento na parte branca do globo ocular), tem dor ciática, é hipertensa, tem Diabetes tipo I, controlada com medicamentos. Realizou exames clínicos como audiometria, glicemia, hemoglobina glicada, hemograma completo, leucograma, colesterol total, colesterol HDL, triglicérides, TGO, TGP, CPK, magnésio, potássio,tiroxina livre, TSH, uréia, creatinina, urina tipo I, ácido úrico, Doppler colorido das artérias carótidas e vertebrais, eletrocefalografia quantitativa, tomografia computadorizada crânio- encefálica, para determinar as causas dessa tontura sem alterações significativas que justificasse a tontura.

Protocolo de tratamento
Pontos sugeridos como tratamento da tontura na auriculo chinesa: Shen men, Rim, Fígado, Olho, Ouvido interno, Ouvido externo, Temporal, Cerebelo e Subcórtex.
Material utilizado: Semente escura, Micropore, Pinça, Apalpador, Álcool e Algodão.

Tratamento efetuado: O tratamento consistiu na utilização da auriculoterapia chinesa somente com sementes escuras, nos pontos mencionados a cima. Foram realizadas 10 sessões, sendo uma por semana.
A primeira sessão foi realizada no dia 29-04-2013 utilizando a orelha direita, a orelha foi alternada a cada sessão sendo o ponto do Fígado mantido sempre na orelha direita. A última sessão foi no dia 01-07-2013 na orelha esquerda.

DISCUSSÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS
Os resultados obtidos com esse estudo para os sintomas de tontura sem diagnóstico definido foram os seguintes: após a primeira sessão a paciente não relatou nenhuma melhora, na segunda aferiu uma diminuição dos episódios de tontura que deixaram de ocorrer a qualquer movimento brusco com a cabeça, e passaram a acontecer somente quando estava deitada e levantava rapidamente, não acontecendo mais ao abaixar e pegar algum objeto no chão, ao direcionar os olhos para o alto e ficar nessa posição por algum tempo, nem nos movimento lateral e rápido com a cabeça. Na terceira sessão não houve nenhuma alteração significativa nos padrões dos sintomas descritos pela paciente, ao longo do tratamento nas sete sessões seguintes não houve mais melhoras consideráveis em relação à tontura. Contudo a paciente relatou não ter tido mais os derrames oculares e o olho não estavam mais seco.

Os resultados não foram confirmados como se esperava uma vez que as alterações no desaparecimento dos sintomas da tontura não foram alcançados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A hipótese esperada era de que com os pontos escolhidos e o tempo de terapia fosse o suficiente para o desaparecimento dos sintomas da tontura que a paciente em questão apresentava. Contudo não houve melhora significativa nos episódios de tontura, havendo apenas diminuição dos eventos. No entanto a paciente verbaliza não ter tido mais os derrames oculares.

O estudo veio demonstrar a necessidade de um tratamento por um período maior, ou acoplado a acupuntura sistêmica para o tratamento da tontura sem diagnóstico definido. Concluímos que apesar dos resultados não condizerem com os esperados inicialmente, fica evidente que a auriculoterapia chinesa pode ser utilizada como auxiliar a acupuntura sistêmica ou a medicina ocidental no tratamento da tontura uma vez que houve a diminuição dos episódios.

Não deixando de levar em consideração o resultado relevante do desaparecimento dos sintomas de olho seco e dos derrames oculares, sendo esses sintomas muito freqüente em idosos. O estudo mostra que a auriculoterapia não deve ser utilizado como único tratamento da tontura, e sim como auxiliar no tratamento, uma vez que demonstrou nesse caso como ineficiente no desaparecimento dos sintomas.

Fonte: CETN

Laserterapia melhora aparência da cicatriz cirúrgica, diz estudo

A laserterapia poderá ser aplicada com sucesso na melhora do aspecto das cicatrizes resultantes de incisões cirúrgicas. A técnica é normalmente utilizada em fisioterapia para combater a dor em casos de artrose, bursite e tendinite. “O laser de baixa intensidade quando aplicado em grandes cicatrizes torna-as mais finas e com aspecto estético funcional melhor”, conta o fisioterapeuta Rodrigo Leal de Paiva Carvalho.

Em seu estudo de mestrado realizado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o pesquisador testou a técnica em pacientes submetidos à cirurgia de hérnia inguinal. Sob a orientação da professora Raquel Aparecida Casarotto, do curso de Fisioterapia, Carvalho teve como principal objetivo em seu estudo investigar a eficácia do laser infravermelho GaAlAs 830nm no processo de cicatrização de incisão pós-cirúrgica de hérnia inguinal.

Participaram do estudo 28 pacientes, divididos em dois grupos: o experimental, que recebeu o tratamento com laser; e o controle, que não se submeteu à terapia. O laser foi aplicado no primeiro grupo após 24 horas da cirurgia, num total de 4 aplicações, em dias alternados. Após seis meses, os grupos foram reavaliados por meio da escala de cicatriz de Vancouver (escala padrão internacional), escala visual analógica e espessura da cicatriz. Em todos os parâmetros analisados, a diferença na qualidade das cicatrizes foi surpreendente, em favor dos pacientes submetidos à laserterapia. O grupo experimental, que recebeu o tratamento com laser, apresentou melhora significativa na aparência e na qualidade da cicatriz seis meses após a incisão, em comparação ao grupo controle.

Diferença visível
“Acreditamos que esses resultados positivos podem ser explicados pelas propriedades do laser, como a influência da mobilidade e proliferação de fibroplastos, atuando na aceleração, na síntese e na manutenção da morfologia do colágeno, angiogênese e no aumento do número de células endoteliais”, avalia Carvalho.

Já o cirurgião geral Paulo Sérgio Alcântara, do Hospital Universitário (HU) da USP, que acompanhou o estudo ao lado do cirurgião plástico Fábio Kamamoto, ressalta que ficou comprovado cientificamente que o laser de baixa intensidade diminui a espessura e a profundidade da cicatriz. “Após seis meses do início do tratamento, era visível a diferença na qualidade das cicatrizes entre os dois grupos. Tanto que interrompemos o estudo, pois chegamos ao objetivo da pesquisa”.

De acordo com o fisioterapeuta e autor do estudo, havia um certo conhecimento de que o laser melhorava o aspecto das cicatrizes, mas não existia nenhum trabalho científico com humanos, no padrão que o estudo foi realizado. Todo o processo foi documentado com fotografias. Ao mesmo tempo em que melhora a qualidade da cicatriz, o tratamento a laser pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A pesquisa abre campo para se estudar os efeitos do laser em cicatrizes hipertróficas e quelóides. Na opinião do cirurgião Paulo Sergio Alcântara, os excelentes resultados devem estimular os médicos a adotarem a laserterapia como uma boa opção no tratamento de cicatrizes. Mas, segundo ele, cabe ao médico decidir em que casos o laser deve ser aplicado. Ele garante que o laser é seguro e que não causa efeitos adversos ao paciente.

Fonte: USP

Um olhar ocidental sobre a ação da acupuntura

Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni – CETN

Durante milênios acreditou-se que o mecanismo de ação da acupuntura fosse puramente energético. Marques (2009) fala que estes conceitos remontam há aproximadamente 5.000 anos atrás, surgindo da observação, por parte dos chineses, da natureza em comparação com o homem a fim de entender os princípios que regem os universos, externo e interno do ser humano. No entanto, com a difusão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) no ocidente, muitos pesquisadores começaram a questionar sobre a participação de estruturas orgânicas no mecanismo de ação da acupuntura, e o desenvolvimento de pesquisas nessa área, principalmente nas últimas décadas, evidenciou estreita relação entre os efeitos da acupuntura e o sistema nervoso central (SNC) e o periférico (ONETTA, 2005).

Atualmente, na concepção neurofisiológica de ação da Acupuntura, observou-se que as agulhas agem, principalmente sobre as fibras nervosas A – delta e C, desencadeando potencial de ação na membrana destas fibras cujo estímulo segue até a medula espinhal, por onde através de séries de sinapses podem estabelecer arcos reflexos, estimular os neurônios pré-ganglionares e projetar-se através dos tractos espinorreticular e espinotalâmico para o encéfalo (YAMAMURA et al,1996). Assim sendo, ocorre a liberação de neurotransmissores, como bradicinina e histamina, e os estímulos são conduzidos ao SNC pelas fibras A-delta, espessas e mielinizadas, e pelas fibras C, finas e amielínicas, localizadas na pele e nos músculos. As fibras A-delta, ao terminarem no corno posterior da medula, estimulam os neurônios encefalinérgicos por meio de sinapses a liberarem encefalina, bloqueador da substância P (neurotransmissor que estimula a dor), inibindo, assim, a sensação dolorosa. Os estímulos continuam por meio principalmente do trato espinotalâmico lateral (TEL), até o tronco encefálico, liberando serotonina, que será responsável pelo aumento dos níveis de endorfina e de ACTH (hormônio adenocórtico-trófico) e, conseqüentemente, de cortisol nas supra-renais, garantindo assim o efeito benéfico da acupuntura no estresse e na ansiedade do paciente. Esse processo segmentar – via da dor – é o modo de ação mais simples e provável para explicar as modulações das funções orgânicas por meio da acupuntura (ONETTA, 2005).

Ainda Zhang et al (2003) diz que a aplicação de agulhas superficialmente sobre a pele ou mais profundamente atingindo tecidos musculares, nervosos, ligamentos ou ossos, provoca um tipo de estimulação sensorial vinda da estimulação seletiva de pequenas áreas chamadas de acupontos. O acuponto é uma região da pele em que há uma grande concentração de fibras nervosas espinhais. São pontos altamente vascularizados e inervados, resultando numa baixa resistividade elétrica local. O tecido lesado pela Acupuntura produz as mesmas características de um processo inflamatório; a inserção de agulha estimula a liberação de peptídeos, substância P, histamina, bradicininas e enzimas proteolíticas que culminam com o aumento da irrigação sanguínea local. E, juntamente com o aumento da irrigação sanguínea, há um aumento de serotonina, prostaglandinas e células de defesa do organismo.

Outra região do SNC que já observou-se ter uma relação com os mecanismo de ação da acupuntura foi a formação reticular (ou sistema reticular ativador ascendente – SRAA); que consiste em grupos de neurônios e fibras neurais que comunicam os núcleos cerebrais entre eles e com centros subcorticais, centros talâmicos, centros do cerebelo, centros mesencefálicos, medula oblonga e medula espinhal. Funcionalmente, controlam os mecanismos reguladores do sono, tônus muscular, nível de consciência, ritmo cardíaco e respiratório, tônus vasculares, mediando as funções motoras, autonômicas e sensoriais. No nível dos núcleos da formação reticular é conduzida quase toda a informação a respeito da sensibilidade e ritmos. Informações que são analisadas quantitativas e qualitativamente mediando à dimensão afetivo-motivacional da experiência dolorosa e da relação comportamental da dor, tornando fundamental o papel da formação reticular na percepção e na modulação da dor. Observa-se ainda que a ativação da formação reticular regula o nível das funções basais do SNC de acordo com a informação que recebe das vias sensoriais. A ação dos mecanismos homeostáticos da formação reticular pode ser conseguida apenas com a estimulação sensorial como a inserção de agulhas na pele pela acupuntura. Dessa forma a inserção da agulha pode atuar como estímulo mecanoceptivo modulando o estímulo sensitivo doloroso periférico quando é enviado até a medula, e assim, impedir a transmissão do impulso e a seqüência de sinapses até os centros superiores.

Também a liberação de endorfinas para o líquido cefalorraquidiano durante o uso da acupuntura e de seus efeitos analgésicos explicaria as conclusões chinesas de que esta técnica libera uma substância inibidora da dor, estando presente, também no líquido cefalorraquidiano (ANDRADE et al., 2004). Relata-se que quando o líquido cefalorraquidiano de um coelho submetido à Acupuntura é transferido para outro coelho não tratado, o animal receptor mostrava alteração na sensibilidade à dor semelhante a do animal tratado com acupuntura.

Fonte: CETN

Benefícios da acupuntura para o tratamento de enxaqueca (vídeo)

Veja uma reportagem do Globo Repórter sobre os benefícios da acupuntura no tratamento de  enxaqueca.

 

 

Pesquisa comprova que acupuntura reduz o estresse

Criada há mais de dois milênios na China, a acupuntura é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo. A técnica de estimulação de pontos específicos do corpo por meio da aplicação de agulhas rompeu as fronteiras da Ásia, cruzou oceanos e hoje é largamente utilizada em todo o mundo para reduzir dores, promover o equilíbrio do organismo e combater o estresse crônico. No entanto, se os benefícios são evidentes, o mecanismo de ação da prática ainda não foi totalmente compreendido. Na busca por decifrar as bases moleculares por trás das espetadas, pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, realizaram testes em animais e concluíram que a acupuntura pode reduzir significativamente a liberação, no sangue, de substâncias ligadas ao estresse. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Endocrinology.

Ladan Eshekevari, principal autora do estudo, conta que seu interesse pelo tema surgiu da experiência clínica. “Notei que muitos dos meus pacientes nos quais aplicava acupuntura para tratar dores relatavam sinais de alívio do estresse, como hábitos de sono melhor e maior capacidade de lidar com o sofrimento físico, entre outros. Então, pensei que, talvez, eu estivesse afetando as vias de estresse em vez das de dor”, revela Eshekevari, que é fisiologista, enfermeira anestesista e acupunturista certificada. Ela resolveu, então, projetar uma série de estudos em camundongos para testar o efeito da acupuntura elétrica nos níveis de proteínas e hormônios secretados como resposta ao estresse. “Usei eletroacupuntura, porque ela me garante que cada animal recebeu a mesma dose de tratamento”, explica a pesquisadora.

Wu Tu Hsing, professor de medicina tradicional chinesa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica que o estimulador elétrico é utilizado quando se deseja potencializar o efeito da agulha. “Assim, você consegue explorar o máximo de efeito em determinado ponto. É como se você aumentasse a dose.” O professor esclarece que o estimulador elétrico é raramente utilizado, entrando em cena quando há pouca resposta ao estímulo manual, como nos casos de artroses.

Pontos
Nos experimentos, Eshekevari utilizou quatro conjuntos de ratos. O grupo de controle não foi submetido a situações estressantes nem recebeu tratamento. O segundo era formado por camundongos submetidos ao estresse induzido por temperaturas rigorosamente baixas, mas que não foram tratados. Já o terceiro, também estressado, recebeu acupuntura em um ponto falso, chamado Sham. Por fim, o quatro conjunto de indivíduos recebeu agulhas no ponto Zusanli, uma região em que o efeito da acupuntura costuma ser observado.

De acordo com a pesquisadora, esse ponto foi escolhido porque, além de ser muito forte na medicina tradicional chinesa, é de fácil acesso, mesmo quando o rato está acordado. Wu Tu Hsing, da USP, explica que, em humanos, o ponto é bastante utilizado para alívio da dor e tratamento de problemas no sistema digestório. Ele se localiza na perna, abaixo do joelho, entre a fíbula e a tíbia, sendo conhecido também como E36, ou ST36.

Durante 10 dias, a equipe de Eshekevari mediu no sangue os níveis de hormônios secretados pelo eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), que inclui o hipotálamo, a hipófise e a glândula adrenal. As interações entre esses órgãos são responsáveis por controlar as reações ao estresse e regular a digestão, o armazenamento do sistema imunológico, o humor, as emoções, a sexualidade e a energia. Segundo o estudo, a resposta clássica ao estresse crônico consiste de uma interação entre duas importantes vias: o sistema nervoso simpático (SNS) e o HPA. A ativação crônica dessas vias pode levar à má adaptação das condições homeostáticas, causando sintomas ou doenças como a ansiedade, depressão e obesidade, que podem ainda ter um impacto direto sobre as doenças cardiovasculares e a hipertensão.

Além dos hormônios secretados pelo HPA, os pesquisadores também mediram os níveis de NPY, um peptídeo liberado pelo sistema nervoso simpático em roedores e seres humanos. Esse sistema está envolvido na resposta de fuga ou de luta ao estresse agudo, resultando na constrição do fluxo de sangue para todas as partes do corpo, exceto para o coração, os pulmões e o cérebro (órgãos mais necessários para se reagir aos perigos). O estresse crônico, no entanto, pode causar aumento da pressão arterial e doença cardíaca. “Descobrimos que a acupuntura eletrônica bloqueia o estresse crônico induzido por elevações dos hormônios do eixo HPA e na via de NPY”, revela Eshekevari. Ela acrescenta que os ratos que receberam a acupuntura elétrica no ponto falso tiveram uma elevação dos hormônios análoga à dos animais de estressados.

De acordo com Ângela Tabosa, vice-chefe do Setor de Medicina Chinesa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o modelo de estresse por frio em ratos é referendado pela ciência experimental como uma boa aproximação do estresse crônico em humanos. “Existe o estresse agudo e o crônico. O agudo está muito relacionado à luta ou à fuga. O indivíduo é exposto a uma situação de perigo, o organismo produz uma série de substâncias que o preparam para lutar ou fugir. Há vários modelos animais de estresse agudo, e as substâncias são um pouco diferentes de quando ele é submetido ao estresse crônico”, detalha Tabosa. Segundo ela, o crônico é aquele que não é tão impactante, mas, apesar de ser menor, é repetitivo. “Parece-se mais com o que acontece no dia a dia, devido ao trânsito ou a um chefe muito exigente. Para simular o estresse crônico, existem alguns modelos, como o frio. Você não pode repetir exatamente o que seria para o ser humano, mas você cria condições desagradáveis para as quais o rato já fica preparado”, explica.

Confirmação
A acupuntura funciona por meio do estímulo de terminações nervosas em diversas partes do corpo. Esses estímulos são levados ao sistema nervoso central, onde são interpretados pelo cérebro, que responde com a liberação de substâncias que caem na circulação sanguínea. De acordo com Hsing, as substâncias mais estudadas nessa resposta são a endorfina, a cortisona e a serotonina. “Algumas delas dão um pouco de sono, o que explica o efeito calmante e de alívio da dor.” O professor explica que 80% das pessoas que buscam a acupuntura normalmente querem tratar alguma dor, como as de cabeça ou musculares. A ansiedade e o estresse também aparecem com frequência.

Ladan Eshekevari espera obter os mesmos resultados do estudo em humanos e ampliar a aceitação da terapia chinesa. “Para quem trabalha com acupuntura, o resultado é mais uma comprovação. Os mecanismos da ação da acupuntura já têm sido bem estudados desde o fim da década de 1980”, diz Tabosa. Para ela, a questão principal do artigo é conseguir comprovar a eficiência da acupuntura real em comparação com falsos pontos. Além disso, o trabalho reforça que o efeito da técnica é cumulativo, ou seja, a diferença na redução dos hormônios estressores ficou maior ao longo dos dias. “Existem técnicas que são utilizadas em pronto atendimento, mas, para o tratamento de uma doença, você precisa de uma série de aplicações”, ressalta Tabosa.

Experimento
Trinta e quatro ratos adultos foram divididos em quatro grupos distintos:

Grupo 1 (de controle)
não foi estressado e não recebeu nenhum tratamento

Grupo 2
foi submetido a temperaturas rigorosamente baixas durante uma hora pelo período de 10 dias, mas não recebeu acupuntura

Grupo 3 (experimental)
os ratos sem estresse receberam estímulos em um ponto Sham*, próximo ao rabo, bilateralmente. As agulhas foram aplicadas nos 10 dias imediatamente anteriores à exposição ao estresse pelo frio

Grupo 4 (experimental),
durante os quatro dias anteriores ao estresse pelo frio, os ratos foram pré-tratados com o estímulo no tradicional ponto ST 36, ou zusanli. Eles continuaram a receber acupuntura no mesmo ponto durante mais 10 dias após o estresse. O ST 36 localiza-se na perna, perto da rótula e da tíbia

* Ponto Sham é também conhecido por falsa acupuntura. As agulhas são colocadas em regiões que não são pontos reais da técnica. Normalmente, esse artifício é utilizado como base de comparação, para saber se os resultados positivos foram realmente oriundos dos estímulos nos pontos de acupuntura, ou pela simples picada

Fonte: Saúde Plena (Uai)