Acupuntura provê maior alívio as dores crônicas, afirma pesquisa alemã

Segundo resultados de pesquisa realizadas pelo Instituto de Acupuntura Alemã (GERAC), o método oferece melhores resultados diante de dores crônicas do que os tratamentos convencionais.

As pesquisas da GERAC envolveram 1.162 pacientes que padeciam de doenças e dores crônicas por uma média de oito anos. Aleatoriamente, todos eles foram submetidos a tratamentos de acupuntura baseados na medicina tradicional chinesa; na acupuntura alternativa baseada em pontos não compreendidos pela acupuntura tradicional chinesa; ou em terapias convencionais com drogas, terapias e exercício.

Depois de seis meses, ao redor de 48% daqueles que estavam sob o tratamento da genuína acupuntura reportaram melhora na sua condição.

Ao redor de 44% dos que estavam sob o tratamento da acupuntura alternativa, disseram que haviam experimentado melhora similar, contrastando com somente 27,4% daqueles que foram tratados com a medicina convencional.

Os resultados do estudo, realizado por Michael Haake e sua equipe na Universidade de Regensburg, foram publicados na revista médica Archives of Internal Medicine (Arquivos de Medicina Interna). Esse é o estudo mais extenso conhecido até o momento no que se refere ao alívio da dor através da acupuntura.

Na China antiga, acreditava-se que a medicina tradicional chinesa é um legado de seres divinos e que tem características extraordinárias devido a essa ligação superior com o universo.

Fonte: Epoch Times

Tontura em idosos – Estudo de caso com auriculoterapia chinesa

Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni – CETN

A tontura pode ser gerada por mecanismos fisiopatológicos diferentes descritos como sensação de desequilíbrio, instabilidade, flutuação, rotação, cabeça oca, entre outros. Atualmente a ciência dispõe de uma variedade de exames complementares, porem eles não avaliam bem a função vestibular. Isto posto pode-se dizer que os motivos causadores das tonturas são de difícil diagnóstico, uma vez que a tontura é um sintoma inespecífico. (BASTOS; LIMA; OLIVEIRA 2005).

Segundo Fonseca, Davidsohn (2006) o equilíbrio é o estado contrabalanceado que surge com a movimentação. Sendo assim a vertigem com sensação de rotação, é sempre de caráter labiríntica, onde qualquer movimento da cabeça acarreta o deslocamento da endolinfa, podendo acarretar novas crises de tontura. Vários órgãos estão envolvidos na manutenção do equilíbrio, os principais são o labirinto, os olhos, os músculos, as articulações e os tendões. As informações acendidas por esses órgãos são processadas pelo cérebro controlando o equilíbrio (GUYTON; HALL, 2006).

O ouvido interno, também designado labirinto, envolvido na manutenção do equilíbrio, é formado por esqueleto ósseo ebúrneo, que contém no seu interior o labirinto membranoso. Divide-se em dois, o anterior formado pela cóclea a qual é destinado a funções auditivas, e o outro ao aparelho vestibular, formado por canais semicirculares, que participam da função do equilíbrio. Entre esses dois interpõem-se pequenas cavidades denominada vestíbulo. No interior do ouvido é encontrado um líquido chamado endolinfa, que ao movimentar a cabeça estimula a células ciliadas, que enviam impulsos nervosos ao cérebro informando a direção dos movimentos da cabeça e do corpo, para cima, para baixo, para frente, para trás de um lado para o outro e movimento de rotação. Os olhos informam a posição do corpo no espaço, os músculos e articulações informam quais os movimentos estão sendo executados e quais as estrutura orgânicas estão envolvidas. Se algumas dessas informações não forem coerente o resultado pode ser tontura e enjôos na adaptação do sistema a nova realidade (PORTO,2005).

De acordo com Bittar, Bottino, Zerati, et all (2003) vários distúrbios de equilíbrio, originário no sistema vestibular são de origem metabólica, distúrbio esse que acomete grande parte da população idosa.

No aspecto da alteração metabólica que envolve o fornecimento de energia como disfunções da glicose e da tireóide, são potenciais geradoras de tonturas, uma vez que o labirinto é sensível às variações da glicose, já o fornecimento de oxigênio é responsável pelo funcionamento de bomba Na/K e na conservação do potencial endococlear, a viscosidade sanguínea, com elevação de colesterol pode comprometer o fluxo e resultar em dano funcional ao labirinto. Isto posto, pode-se dizer que, entre os distúrbios metabólicos mais aceitos como responsáveis por essas alterações de equilíbrio, esta a diabetes, hipoglicemia reativa, hiperinsulinemia, distúrbio da tireoide, os relacionados ao metabolismo lipídico e as variações hormonais da mulher (BITTAR,BOTTINO,ZERATI, et all,2003).

Etiologias da tontura segundo a medicina tradicional chinesa
De acordo com a medicina ocidental a tontura esta fortemente ligada ao ouvido como órgão responsável pelo equilíbrio, juntamente com os olhos, os músculos, as articulações e os tendões (GUYTON; HALL, 2006). Podendo ocorrer por uma pequena mudança de postura, onde qualquer movimento da cabeça pode acarretar nova crise, até a perda total do equilíbrio e sensação de que tudo gira (PORTO, 2005).
Na medicina chinesa a patologia tem um significado bem diferente da medicina ocidental, ela não faz analise das mudanças patológicas a nível microscópico, nem considera as mudanças no tecido e na química do corpo. Ela avalia o processo geral da doença, como os fatores patogênicos contra o Qi, e o equilíbrio entre Yin e Yang (MACIOCIA, 2007).

Interpretação do distúrbio do equilíbrio segundo a MTC
Segundo Maciocia (2007), a labirintite é uma manifestação de vento e umidade que penetra no fígado causando tontura. Qualquer alteração que afete energeticamente o fígado pode ocasionar tontura, as mais comuns são a Raiva, frustração, ressentimento e magoas, além de excesso de trabalho e atividade sexual. Assim pode-se dizer que a vertigem é uma manifestação de vento interior, decorrente da subida do Qi do fígado para parte superior do corpo, como tremor, tique, entorpecimento, tontura, vertigem, dor de cabeça,convulsões ou paralisia, os sinais de vento interno são caracterizado por movimento ou ausência de movimento. A sensação de tontura é uma queixa comum especialmente em idosos, podendo ser um sintoma de vento no fígado ou fleuma ou de ambos que são fatores patogênicos presente no golpe do vento (MACIOCIA, 2005).

O vento esta ligado ao inicio de abundantes enfermidades, o frio a umidade, a secura e o calor agride o organismo apoiando-se no vento, formando as síndromes, todos os ventos pertence ao fígado. O vento é fator yang, cuja natureza é fazer abrir, escoar. O vento muitas vezes prejudica a parte superior do corpo, sendo da sua natureza o movimento, indicando que uma doença causada pelo vento é caracterizada por agitação, como ofuscação da vista, vertigens, tremores, espasmo dos membros, nuca rígida e epistótonos. (AUTEROCHE; NAVAILH, 1992).

A tontura pode ser decorrente de quatro fatores Vento, Yang, Fleuma e Deficiência os sintomas que a acompanham é que apontará o fator que leva a ela (MACIOCIA, 2005).

As síndromes causadas pelo vento interno é uma afecção do fígado, podendo apresentar sintomas como tonturas, convulsões dos membros, intumescimento dos membros, tremores e rigidez de extremidades, desmaios súbitos, sincope, desvio da boca, dos olhos, assim como alterações emocionais
(YAMAMURA, 1993).

Estudo de caso:
O estudo foi realizado com um paciente do sexo feminino de 67 anos, com tontura postural, sem diagnóstico definido. Tendo sido elaborado um protocolo de tratamento de auriculoterapia chinesa, com menor numero possível de pontos, utilizando sementes escuras, com 10 sessões. Buscou conhecer a eficácia da terapia na eliminação dos sintomas da tontura.
Posteriormente foram observados e analisados os resultados obtidos a cada sessão
Caso: Mulher de 67 anos afere sentir tontura postural o dia inteiro, perante qualquer movimento brusco com a cabeça (quando esta deitada e levanta rapidamente, quando abaixa para pegar algo no chão e quando direciona o olhar para o alto, assim com em movimento lateral e rápido com a cabeça), alega estar sentido esta tontura a cerca de oito meses à um ano. Vem tendo também olho seco, e derrames oculares (hiposfagma, sangramento na parte branca do globo ocular), tem dor ciática, é hipertensa, tem Diabetes tipo I, controlada com medicamentos. Realizou exames clínicos como audiometria, glicemia, hemoglobina glicada, hemograma completo, leucograma, colesterol total, colesterol HDL, triglicérides, TGO, TGP, CPK, magnésio, potássio,tiroxina livre, TSH, uréia, creatinina, urina tipo I, ácido úrico, Doppler colorido das artérias carótidas e vertebrais, eletrocefalografia quantitativa, tomografia computadorizada crânio- encefálica, para determinar as causas dessa tontura sem alterações significativas que justificasse a tontura.

Protocolo de tratamento
Pontos sugeridos como tratamento da tontura na auriculo chinesa: Shen men, Rim, Fígado, Olho, Ouvido interno, Ouvido externo, Temporal, Cerebelo e Subcórtex.
Material utilizado: Semente escura, Micropore, Pinça, Apalpador, Álcool e Algodão.

Tratamento efetuado: O tratamento consistiu na utilização da auriculoterapia chinesa somente com sementes escuras, nos pontos mencionados a cima. Foram realizadas 10 sessões, sendo uma por semana.
A primeira sessão foi realizada no dia 29-04-2013 utilizando a orelha direita, a orelha foi alternada a cada sessão sendo o ponto do Fígado mantido sempre na orelha direita. A última sessão foi no dia 01-07-2013 na orelha esquerda.

DISCUSSÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS
Os resultados obtidos com esse estudo para os sintomas de tontura sem diagnóstico definido foram os seguintes: após a primeira sessão a paciente não relatou nenhuma melhora, na segunda aferiu uma diminuição dos episódios de tontura que deixaram de ocorrer a qualquer movimento brusco com a cabeça, e passaram a acontecer somente quando estava deitada e levantava rapidamente, não acontecendo mais ao abaixar e pegar algum objeto no chão, ao direcionar os olhos para o alto e ficar nessa posição por algum tempo, nem nos movimento lateral e rápido com a cabeça. Na terceira sessão não houve nenhuma alteração significativa nos padrões dos sintomas descritos pela paciente, ao longo do tratamento nas sete sessões seguintes não houve mais melhoras consideráveis em relação à tontura. Contudo a paciente relatou não ter tido mais os derrames oculares e o olho não estavam mais seco.

Os resultados não foram confirmados como se esperava uma vez que as alterações no desaparecimento dos sintomas da tontura não foram alcançados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A hipótese esperada era de que com os pontos escolhidos e o tempo de terapia fosse o suficiente para o desaparecimento dos sintomas da tontura que a paciente em questão apresentava. Contudo não houve melhora significativa nos episódios de tontura, havendo apenas diminuição dos eventos. No entanto a paciente verbaliza não ter tido mais os derrames oculares.

O estudo veio demonstrar a necessidade de um tratamento por um período maior, ou acoplado a acupuntura sistêmica para o tratamento da tontura sem diagnóstico definido. Concluímos que apesar dos resultados não condizerem com os esperados inicialmente, fica evidente que a auriculoterapia chinesa pode ser utilizada como auxiliar a acupuntura sistêmica ou a medicina ocidental no tratamento da tontura uma vez que houve a diminuição dos episódios.

Não deixando de levar em consideração o resultado relevante do desaparecimento dos sintomas de olho seco e dos derrames oculares, sendo esses sintomas muito freqüente em idosos. O estudo mostra que a auriculoterapia não deve ser utilizado como único tratamento da tontura, e sim como auxiliar no tratamento, uma vez que demonstrou nesse caso como ineficiente no desaparecimento dos sintomas.

Fonte: CETN

Laserterapia melhora aparência da cicatriz cirúrgica, diz estudo

A laserterapia poderá ser aplicada com sucesso na melhora do aspecto das cicatrizes resultantes de incisões cirúrgicas. A técnica é normalmente utilizada em fisioterapia para combater a dor em casos de artrose, bursite e tendinite. “O laser de baixa intensidade quando aplicado em grandes cicatrizes torna-as mais finas e com aspecto estético funcional melhor”, conta o fisioterapeuta Rodrigo Leal de Paiva Carvalho.

Em seu estudo de mestrado realizado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), o pesquisador testou a técnica em pacientes submetidos à cirurgia de hérnia inguinal. Sob a orientação da professora Raquel Aparecida Casarotto, do curso de Fisioterapia, Carvalho teve como principal objetivo em seu estudo investigar a eficácia do laser infravermelho GaAlAs 830nm no processo de cicatrização de incisão pós-cirúrgica de hérnia inguinal.

Participaram do estudo 28 pacientes, divididos em dois grupos: o experimental, que recebeu o tratamento com laser; e o controle, que não se submeteu à terapia. O laser foi aplicado no primeiro grupo após 24 horas da cirurgia, num total de 4 aplicações, em dias alternados. Após seis meses, os grupos foram reavaliados por meio da escala de cicatriz de Vancouver (escala padrão internacional), escala visual analógica e espessura da cicatriz. Em todos os parâmetros analisados, a diferença na qualidade das cicatrizes foi surpreendente, em favor dos pacientes submetidos à laserterapia. O grupo experimental, que recebeu o tratamento com laser, apresentou melhora significativa na aparência e na qualidade da cicatriz seis meses após a incisão, em comparação ao grupo controle.

Diferença visível
“Acreditamos que esses resultados positivos podem ser explicados pelas propriedades do laser, como a influência da mobilidade e proliferação de fibroplastos, atuando na aceleração, na síntese e na manutenção da morfologia do colágeno, angiogênese e no aumento do número de células endoteliais”, avalia Carvalho.

Já o cirurgião geral Paulo Sérgio Alcântara, do Hospital Universitário (HU) da USP, que acompanhou o estudo ao lado do cirurgião plástico Fábio Kamamoto, ressalta que ficou comprovado cientificamente que o laser de baixa intensidade diminui a espessura e a profundidade da cicatriz. “Após seis meses do início do tratamento, era visível a diferença na qualidade das cicatrizes entre os dois grupos. Tanto que interrompemos o estudo, pois chegamos ao objetivo da pesquisa”.

De acordo com o fisioterapeuta e autor do estudo, havia um certo conhecimento de que o laser melhorava o aspecto das cicatrizes, mas não existia nenhum trabalho científico com humanos, no padrão que o estudo foi realizado. Todo o processo foi documentado com fotografias. Ao mesmo tempo em que melhora a qualidade da cicatriz, o tratamento a laser pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A pesquisa abre campo para se estudar os efeitos do laser em cicatrizes hipertróficas e quelóides. Na opinião do cirurgião Paulo Sergio Alcântara, os excelentes resultados devem estimular os médicos a adotarem a laserterapia como uma boa opção no tratamento de cicatrizes. Mas, segundo ele, cabe ao médico decidir em que casos o laser deve ser aplicado. Ele garante que o laser é seguro e que não causa efeitos adversos ao paciente.

Fonte: USP

Um olhar ocidental sobre a ação da acupuntura

Artigo elaborado baseado em partes do Trabalho de Conclusão de Curso, Autora do artigo: Profa. Larissa A. Bachir Polloni – CETN

Durante milênios acreditou-se que o mecanismo de ação da acupuntura fosse puramente energético. Marques (2009) fala que estes conceitos remontam há aproximadamente 5.000 anos atrás, surgindo da observação, por parte dos chineses, da natureza em comparação com o homem a fim de entender os princípios que regem os universos, externo e interno do ser humano. No entanto, com a difusão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) no ocidente, muitos pesquisadores começaram a questionar sobre a participação de estruturas orgânicas no mecanismo de ação da acupuntura, e o desenvolvimento de pesquisas nessa área, principalmente nas últimas décadas, evidenciou estreita relação entre os efeitos da acupuntura e o sistema nervoso central (SNC) e o periférico (ONETTA, 2005).

Atualmente, na concepção neurofisiológica de ação da Acupuntura, observou-se que as agulhas agem, principalmente sobre as fibras nervosas A – delta e C, desencadeando potencial de ação na membrana destas fibras cujo estímulo segue até a medula espinhal, por onde através de séries de sinapses podem estabelecer arcos reflexos, estimular os neurônios pré-ganglionares e projetar-se através dos tractos espinorreticular e espinotalâmico para o encéfalo (YAMAMURA et al,1996). Assim sendo, ocorre a liberação de neurotransmissores, como bradicinina e histamina, e os estímulos são conduzidos ao SNC pelas fibras A-delta, espessas e mielinizadas, e pelas fibras C, finas e amielínicas, localizadas na pele e nos músculos. As fibras A-delta, ao terminarem no corno posterior da medula, estimulam os neurônios encefalinérgicos por meio de sinapses a liberarem encefalina, bloqueador da substância P (neurotransmissor que estimula a dor), inibindo, assim, a sensação dolorosa. Os estímulos continuam por meio principalmente do trato espinotalâmico lateral (TEL), até o tronco encefálico, liberando serotonina, que será responsável pelo aumento dos níveis de endorfina e de ACTH (hormônio adenocórtico-trófico) e, conseqüentemente, de cortisol nas supra-renais, garantindo assim o efeito benéfico da acupuntura no estresse e na ansiedade do paciente. Esse processo segmentar – via da dor – é o modo de ação mais simples e provável para explicar as modulações das funções orgânicas por meio da acupuntura (ONETTA, 2005).

Ainda Zhang et al (2003) diz que a aplicação de agulhas superficialmente sobre a pele ou mais profundamente atingindo tecidos musculares, nervosos, ligamentos ou ossos, provoca um tipo de estimulação sensorial vinda da estimulação seletiva de pequenas áreas chamadas de acupontos. O acuponto é uma região da pele em que há uma grande concentração de fibras nervosas espinhais. São pontos altamente vascularizados e inervados, resultando numa baixa resistividade elétrica local. O tecido lesado pela Acupuntura produz as mesmas características de um processo inflamatório; a inserção de agulha estimula a liberação de peptídeos, substância P, histamina, bradicininas e enzimas proteolíticas que culminam com o aumento da irrigação sanguínea local. E, juntamente com o aumento da irrigação sanguínea, há um aumento de serotonina, prostaglandinas e células de defesa do organismo.

Outra região do SNC que já observou-se ter uma relação com os mecanismo de ação da acupuntura foi a formação reticular (ou sistema reticular ativador ascendente – SRAA); que consiste em grupos de neurônios e fibras neurais que comunicam os núcleos cerebrais entre eles e com centros subcorticais, centros talâmicos, centros do cerebelo, centros mesencefálicos, medula oblonga e medula espinhal. Funcionalmente, controlam os mecanismos reguladores do sono, tônus muscular, nível de consciência, ritmo cardíaco e respiratório, tônus vasculares, mediando as funções motoras, autonômicas e sensoriais. No nível dos núcleos da formação reticular é conduzida quase toda a informação a respeito da sensibilidade e ritmos. Informações que são analisadas quantitativas e qualitativamente mediando à dimensão afetivo-motivacional da experiência dolorosa e da relação comportamental da dor, tornando fundamental o papel da formação reticular na percepção e na modulação da dor. Observa-se ainda que a ativação da formação reticular regula o nível das funções basais do SNC de acordo com a informação que recebe das vias sensoriais. A ação dos mecanismos homeostáticos da formação reticular pode ser conseguida apenas com a estimulação sensorial como a inserção de agulhas na pele pela acupuntura. Dessa forma a inserção da agulha pode atuar como estímulo mecanoceptivo modulando o estímulo sensitivo doloroso periférico quando é enviado até a medula, e assim, impedir a transmissão do impulso e a seqüência de sinapses até os centros superiores.

Também a liberação de endorfinas para o líquido cefalorraquidiano durante o uso da acupuntura e de seus efeitos analgésicos explicaria as conclusões chinesas de que esta técnica libera uma substância inibidora da dor, estando presente, também no líquido cefalorraquidiano (ANDRADE et al., 2004). Relata-se que quando o líquido cefalorraquidiano de um coelho submetido à Acupuntura é transferido para outro coelho não tratado, o animal receptor mostrava alteração na sensibilidade à dor semelhante a do animal tratado com acupuntura.

Fonte: CETN

Benefícios da acupuntura para o tratamento de enxaqueca (vídeo)

Veja uma reportagem do Globo Repórter sobre os benefícios da acupuntura no tratamento de  enxaqueca.

 

 

Pesquisa comprova que acupuntura reduz o estresse

Criada há mais de dois milênios na China, a acupuntura é um dos tratamentos médicos mais antigos do mundo. A técnica de estimulação de pontos específicos do corpo por meio da aplicação de agulhas rompeu as fronteiras da Ásia, cruzou oceanos e hoje é largamente utilizada em todo o mundo para reduzir dores, promover o equilíbrio do organismo e combater o estresse crônico. No entanto, se os benefícios são evidentes, o mecanismo de ação da prática ainda não foi totalmente compreendido. Na busca por decifrar as bases moleculares por trás das espetadas, pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, realizaram testes em animais e concluíram que a acupuntura pode reduzir significativamente a liberação, no sangue, de substâncias ligadas ao estresse. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Endocrinology.

Ladan Eshekevari, principal autora do estudo, conta que seu interesse pelo tema surgiu da experiência clínica. “Notei que muitos dos meus pacientes nos quais aplicava acupuntura para tratar dores relatavam sinais de alívio do estresse, como hábitos de sono melhor e maior capacidade de lidar com o sofrimento físico, entre outros. Então, pensei que, talvez, eu estivesse afetando as vias de estresse em vez das de dor”, revela Eshekevari, que é fisiologista, enfermeira anestesista e acupunturista certificada. Ela resolveu, então, projetar uma série de estudos em camundongos para testar o efeito da acupuntura elétrica nos níveis de proteínas e hormônios secretados como resposta ao estresse. “Usei eletroacupuntura, porque ela me garante que cada animal recebeu a mesma dose de tratamento”, explica a pesquisadora.

Wu Tu Hsing, professor de medicina tradicional chinesa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), explica que o estimulador elétrico é utilizado quando se deseja potencializar o efeito da agulha. “Assim, você consegue explorar o máximo de efeito em determinado ponto. É como se você aumentasse a dose.” O professor esclarece que o estimulador elétrico é raramente utilizado, entrando em cena quando há pouca resposta ao estímulo manual, como nos casos de artroses.

Pontos
Nos experimentos, Eshekevari utilizou quatro conjuntos de ratos. O grupo de controle não foi submetido a situações estressantes nem recebeu tratamento. O segundo era formado por camundongos submetidos ao estresse induzido por temperaturas rigorosamente baixas, mas que não foram tratados. Já o terceiro, também estressado, recebeu acupuntura em um ponto falso, chamado Sham. Por fim, o quatro conjunto de indivíduos recebeu agulhas no ponto Zusanli, uma região em que o efeito da acupuntura costuma ser observado.

De acordo com a pesquisadora, esse ponto foi escolhido porque, além de ser muito forte na medicina tradicional chinesa, é de fácil acesso, mesmo quando o rato está acordado. Wu Tu Hsing, da USP, explica que, em humanos, o ponto é bastante utilizado para alívio da dor e tratamento de problemas no sistema digestório. Ele se localiza na perna, abaixo do joelho, entre a fíbula e a tíbia, sendo conhecido também como E36, ou ST36.

Durante 10 dias, a equipe de Eshekevari mediu no sangue os níveis de hormônios secretados pelo eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), que inclui o hipotálamo, a hipófise e a glândula adrenal. As interações entre esses órgãos são responsáveis por controlar as reações ao estresse e regular a digestão, o armazenamento do sistema imunológico, o humor, as emoções, a sexualidade e a energia. Segundo o estudo, a resposta clássica ao estresse crônico consiste de uma interação entre duas importantes vias: o sistema nervoso simpático (SNS) e o HPA. A ativação crônica dessas vias pode levar à má adaptação das condições homeostáticas, causando sintomas ou doenças como a ansiedade, depressão e obesidade, que podem ainda ter um impacto direto sobre as doenças cardiovasculares e a hipertensão.

Além dos hormônios secretados pelo HPA, os pesquisadores também mediram os níveis de NPY, um peptídeo liberado pelo sistema nervoso simpático em roedores e seres humanos. Esse sistema está envolvido na resposta de fuga ou de luta ao estresse agudo, resultando na constrição do fluxo de sangue para todas as partes do corpo, exceto para o coração, os pulmões e o cérebro (órgãos mais necessários para se reagir aos perigos). O estresse crônico, no entanto, pode causar aumento da pressão arterial e doença cardíaca. “Descobrimos que a acupuntura eletrônica bloqueia o estresse crônico induzido por elevações dos hormônios do eixo HPA e na via de NPY”, revela Eshekevari. Ela acrescenta que os ratos que receberam a acupuntura elétrica no ponto falso tiveram uma elevação dos hormônios análoga à dos animais de estressados.

De acordo com Ângela Tabosa, vice-chefe do Setor de Medicina Chinesa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o modelo de estresse por frio em ratos é referendado pela ciência experimental como uma boa aproximação do estresse crônico em humanos. “Existe o estresse agudo e o crônico. O agudo está muito relacionado à luta ou à fuga. O indivíduo é exposto a uma situação de perigo, o organismo produz uma série de substâncias que o preparam para lutar ou fugir. Há vários modelos animais de estresse agudo, e as substâncias são um pouco diferentes de quando ele é submetido ao estresse crônico”, detalha Tabosa. Segundo ela, o crônico é aquele que não é tão impactante, mas, apesar de ser menor, é repetitivo. “Parece-se mais com o que acontece no dia a dia, devido ao trânsito ou a um chefe muito exigente. Para simular o estresse crônico, existem alguns modelos, como o frio. Você não pode repetir exatamente o que seria para o ser humano, mas você cria condições desagradáveis para as quais o rato já fica preparado”, explica.

Confirmação
A acupuntura funciona por meio do estímulo de terminações nervosas em diversas partes do corpo. Esses estímulos são levados ao sistema nervoso central, onde são interpretados pelo cérebro, que responde com a liberação de substâncias que caem na circulação sanguínea. De acordo com Hsing, as substâncias mais estudadas nessa resposta são a endorfina, a cortisona e a serotonina. “Algumas delas dão um pouco de sono, o que explica o efeito calmante e de alívio da dor.” O professor explica que 80% das pessoas que buscam a acupuntura normalmente querem tratar alguma dor, como as de cabeça ou musculares. A ansiedade e o estresse também aparecem com frequência.

Ladan Eshekevari espera obter os mesmos resultados do estudo em humanos e ampliar a aceitação da terapia chinesa. “Para quem trabalha com acupuntura, o resultado é mais uma comprovação. Os mecanismos da ação da acupuntura já têm sido bem estudados desde o fim da década de 1980”, diz Tabosa. Para ela, a questão principal do artigo é conseguir comprovar a eficiência da acupuntura real em comparação com falsos pontos. Além disso, o trabalho reforça que o efeito da técnica é cumulativo, ou seja, a diferença na redução dos hormônios estressores ficou maior ao longo dos dias. “Existem técnicas que são utilizadas em pronto atendimento, mas, para o tratamento de uma doença, você precisa de uma série de aplicações”, ressalta Tabosa.

Experimento
Trinta e quatro ratos adultos foram divididos em quatro grupos distintos:

Grupo 1 (de controle)
não foi estressado e não recebeu nenhum tratamento

Grupo 2
foi submetido a temperaturas rigorosamente baixas durante uma hora pelo período de 10 dias, mas não recebeu acupuntura

Grupo 3 (experimental)
os ratos sem estresse receberam estímulos em um ponto Sham*, próximo ao rabo, bilateralmente. As agulhas foram aplicadas nos 10 dias imediatamente anteriores à exposição ao estresse pelo frio

Grupo 4 (experimental),
durante os quatro dias anteriores ao estresse pelo frio, os ratos foram pré-tratados com o estímulo no tradicional ponto ST 36, ou zusanli. Eles continuaram a receber acupuntura no mesmo ponto durante mais 10 dias após o estresse. O ST 36 localiza-se na perna, perto da rótula e da tíbia

* Ponto Sham é também conhecido por falsa acupuntura. As agulhas são colocadas em regiões que não são pontos reais da técnica. Normalmente, esse artifício é utilizado como base de comparação, para saber se os resultados positivos foram realmente oriundos dos estímulos nos pontos de acupuntura, ou pela simples picada

Fonte: Saúde Plena (Uai)

Canabidiol deve ser liberado no Brasil

Luiz Klassmann, representante da Anvisa no 4º Simpósio Internacional da Cannabis Medicinal anunciou hoje, na abertura do evento, que a área técnica da agência aprovou a reclassificação do canabidiol no Brasil. O estudo propõe a retirada da substância da lista F1, de drogas proscritas, para a lista C1, que permite a prescrição por médicos com receita normal, em duas vias. Para a medida entrar em vigor, ela ainda depende da aprovação da diretoria colegiada da Anvisa. Klassmann estima que isso aconteça até o final de junho. Se isso realmente acontecer, o canabidiol será o primeiro derivado da Cannabis sativa a ter seu potencial terapêutico reconhecido no país.

Fonte: Super Interessante

Extrato de ginseng pode ser superior à vacina contra gripe

O ginseng (Ren Shen no sistema Pinyin de Romanização) é uma erva usada para Tonificar o Qi, atuando principalmente no Baço e Pulmão.

ginsengO ginseng, a raiz da planta Panax ginseng, é uma das plantas medicinais mais usadas no mundo, frequentemente vendida como um remédio para a fadiga sem contraindicações.

Sabe-se também que o ginseng atua sobre o sistema imunológico e afeta a replicação viral.

É por isso que a planta medicinal é uma forma muito eficaz de prevenção da gripe.

Embora venha sendo utilizado pelos seres humanos há milhares de anos, só recentemente pesquisadores começaram a investigar as utilizações terapêuticas e farmacológicas do ginseng, incluindo suas propriedades antialérgicas e anti-inflamatórias.

Melhor que vacina ou tamiflu

Um dos estudos mais recentes e mais significativos foi publicado pela equipe do Dr. Sang-Moo Kang, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade do Estado da Geórgia (EUA).

Os resultados indicam que o consumo normal do extrato do ginseng vermelho coreano por indivíduos saudáveis pode prevenir infecções por diferentes cepas dos vírus da gripe – ao contrário das vacinas sazonais, que só protegem contra as variantes virais de cada estação.

E estudos em animais sugerem que a ingestão do ginseng a longo prazo poderia dar ao sistema imunológico uma melhor resistência para combater patógenos que ele venha a encontrar pela primeira vez no futuro.

Segundo o Dr. Sang-Moo, o efeito que o ginseng teve sobre as infecções pelo vírus de gripe, independentemente da variante do vírus, torna-o um substituto potencial superior à proteção contra cepas específicas fornecida pelas vacinas anuais contra a gripe e mesmo de medicamentos antivirais como o Tamiflu – que está sob fogo cerrado em relação à sua alegada eficácia como tratamento contra a gripe severa.

“Nosso estudo mais recente revelou que o ginseng melhorou a sobrevivência das células epiteliais do pulmão humano (células do tecido que reveste as cavidades do pulmão) quando alguém está infectado com o vírus da gripe,” relata o pesquisador.

“Além disso, o tratamento com ginseng reduziu a expressão de genes pró-inflamatórios, provavelmente em parte interferindo quimicamente com moléculas reativas que contêm oxigênio e que são formadas pelo vírus da gripe,” concluiu o Dr. Sang-Moo Kang.

Extrato de ginseng vermelho

Segundo o pesquisador, os extratos de ginseng vermelho coreano usados em sua pesquisa são produzidos por vaporização e secagem das raízes frescas da planta Panax ginseng com cerca de seis anos de idade.

Elas são cozidas em água e os sobrenadantes – ou líquidos acima do material que se deposita – são concentrados.

É essa preparação que pode ser designada como “extrato de ginseng vermelho”.

Fonte: The Conversation

A potência da acupuntura

A acupuntura já se consagrou como método eficiente para aliviar dores. Agora, embasada por sólidas pesquisas científicas realizadas em todo o mundo, suas aplicações começam a se expandir. A prática é usada contra doenças como a depressão, na recuperação de sequelas de acidente vascular cerebral e até em procedimentos de beleza. O avanço do método, nascido na China, em terras ocidentais é consequência de algumas transformações ocorridas nos últimos anos. A primeira foi a demanda crescente por técnicas que melhoram a saúde sem a necessidade de se recorrer a remédios. A acupuntura se ajusta perfeitamente nesse quesito. A segunda deve-se ao fato de que a medicina finalmente encontrou meios de avaliar com mais refinamento científico o efeito das agulhas no organismo. Hoje, os cientistas estão recorrendo a testes moleculares e ao que há de mais avançado em tecnologia diagnóstica, como os exames de imagem (a exemplo da ressonância magnética funcional, que permite ver o cérebro em movimento), para obter respostas.

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As pesquisas se dividem em duas grandes áreas. Uma mensura o impacto da técnica no alívio dos desconfortos associados a diversas doenças. Outra elucida os mecanismos neurofisiológicos por meio dos quais a inserção das agulhas em pontos específicos promoveria os benefícios. “Dessa abordagem estão surgindo dados que descrevem como a técnica funciona, incentivando a ampliação das situações às quais ela comprovadamente se aplica”, diz o clínico-geral Alexandre Yoshizumi, presidente do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo. Ele participou de um estudo sobre dor lombar conduzido por Tatiana Hasegawa e orientado pelo médico Jamil Natour, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que foi publicado na prestigiosa revista científica “British Medical Journal”.

Respaldada nesses achados, a acupuntura se firma em áreas fora de sua terra natal, nas quais não se cogitava sua participação. Uma dessas atribuições mais originais é o auxílio na regulação do funcionamento do sistema cardiovascular. “Estamos começando a compreender como a prática age na hipertensão e reduz problemas como a isquemia do miocárdio”, explica John Longhurst, da Universidade da Califórnia (Eua). Ele assina uma revisão de estudos experimentais sobre a utilização da técnica no combate de enfermidades cardíacas.

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A isquemia consiste na diminuição do afluxo de sangue numa parte do organismo, ocasionando consequente redução de oxigênio e de nutrientes na região. No caso citado por Longhurst, a isquemia afetou o miocárdio, o músculo do coração. O que se sabe é que a acupuntura promove um aumento na liberação de hormônios com poder de excitar ou inibir o ritmo de trabalho do sistema nervoso central. Isso pode incentivar a melhor irrigação sanguínea dos tecidos.

Outra análise, empreendida por acadêmicos chineses, examinou quatro importantes trabalhos sobre a prática e a hipertensão. Verificou-se que a acupuntura atua como coadjuvante e reduz a pressão em pacientes que tomam anti-hipertensivos, mas que, com os remédios, não obtêm mais progressos. Se pela medicina chinesa o efeito surge do reequilíbrio das energias yin e yang, a ciência ocidental indica que as agulhas influem positivamente no sistema renina-angiotensina (importante na regulação da pressão) e modulam a atividade endócrina, diminuindo a produção das substâncias aldosterona e angiotensina II. Os dois mecanismos estão na base do processo da hipertensão.

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Um impacto também comprovado mais recentemente ocorreu na recuperação de pacientes com sequelas motoras e cognitivas após acidentes vasculares cerebrais (AVC). “O método é eficaz nesses casos”, diz o médico Wu Tu Hsing, diretor do Centro de Acupuntura do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC/SP). Hsing é responsável por um estudo publicado há pouco tempo sobre o tema. O médico selecionou 60 pacientes que haviam sofrido AVC e apresentavam dificuldade de movimento nas pernas. O grupo foi dividido em dois. Um recebeu a aplicação das agulhas. Outro foi submetido à acupuntura placebo (simula-se sua aplicação). A experiência durou dez semanas, com duas sessões semanais. “Os que foram tratados de verdade manifestaram melhora de 20% em relação aos outros”, informou o pesquisador. Hoje, o HC/SP – referência em pesquisa médica no País – oferece sessões do método para ajudar na recuperação de AVC. A rede de Reabilitação Lucy Montoro, em São Paulo, também utiliza a prática como recurso complementar aos tratamentos convencionais.

Há um esforço imenso para descobrir as reações por trás da recuperação motora e de outras capacidades funcionais prejudicadas por causa de um AVC ou de uma paralisia cerebral – outra condição para a qual a prática demonstra benefícios. Uma das equipes empenhadas em esclarecer essas dúvidas é a da Universidade Bastyr (Eua). Lá, os cientistas criaram agulhas feitas de um material especial para avaliar as respostas cerebrais decorrentes da eletroacupuntura. Derivada da acupuntura tradicional, a técnica consiste na aplicação de corrente elétrica através das agulhas inseridas em pontos do corpo. As tais agulhas permitem que os cientistas investiguem os efeitos das descargas elétricas sem que haja interferência dos campos magnéticos de aparelhos de imagem que mostram o cérebro em funcionamento. “Encontramos a ferramenta certa para investigar. Isso possibilitará avanços e um grande número de estudos”, disse a pesquisadora Leanna Standish, que coordena o trabalho.

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O aprimoramento das pesquisas ajudará a pautar o uso da técnica na terapia das doenças mentais. Por ora, o que se tem são estudos que constatam associação proveitosa contra a depressão, de forma complementar aos remédios. Pesquisadores da Universidade Southern, na China, por exemplo, compararam a eficácia da eletroacupuntura combinada a um antidepressivo com a da terapia feita apenas com remédio. “A acupuntura acelera o início do efeito terapêutico da medicação contra sintomas depressivos, ansiosos e do transtorno obsessivo compulsivo”, disse Yong Huang, líder da pesquisa. O estudo saiu na revista científica “Neural Regeneration Research”.

Outra experiência, feita na Universidade de York, na Inglaterra, constatou que a prática pode ser tão eficaz na contenção dos sintomas quanto o aconselhamento psicológico. A conclusão foi obtida após a análise de 755 pacientes com depressão moderada e severa. “As pessoas que têm depressão, que tentaram várias opções médicas e que não estão obtendo benefícios deveriam tentar a acupuntura ou o aconselhamento como opções de ajuda que se mostraram agora clinicamente efetivas”, afirmou Hugh ­MacPherson, coordenador do estudo.

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Um experimento singular na área de doenças psiquiátricas também chama a atenção. A técnica foi empregada de forma pioneira no tratamento da esquizofrenia, enfermidade que até hoje representa um grande desafio para a medicina. A descrição do caso foi feita por pesquisadores da Radboud University Nijmegen, na Holanda. Os cientistas incluíram sessões de acupuntura às intervenções terapêuticas indicadas a uma mulher de 63 anos com esquizofrenia crônica. Entre outros sintomas, ela sofria de dores físicas em consequência de uma alucinação persistente sobre um pássaro preto que a bicava sem parar. Ao final de três meses, ainda que as alucinações persistissem, a paciente se sentia menos perturbada e suas dores, curiosamente, haviam diminuído bastante. A qualidade do sono melhorou e viu-se que traços depressivos foram amenizados. Para a cientista Peggy Bosch, que conduziu o trabalho, os resultados obtidos sugerem que a acupuntura pode ser uma ferramenta adicional para tratar a enfermidade.

A curiosidade científica está levando a outras descobertas sobre o potencial da técnica. Exemplo disso é a pesquisa feita pelo imunologista Luis Ulloa, da New Jersey Medical School (Eua). Para conferir o poder anti-inflamatório da eletroacupuntura, ele aplicou a técnica em cobaias com sépsis, doença infecciosa grave que pode causar também uma intensa reação inflamatória – esta última, na verdade, responsável por boa parte das mortes causadas pela enfermidade. “Usamos a eletroacupuntura para ativar os nervos ciático e vago e a glândula adrenal, elevando a produção de dopamina pela adrenal”, disse à ISTOÉ o cientista Juan Manuel Rico, da equipe de Ulloa. “Estudos mais atuais mostram que essa glândula não funciona bem em grande parte dos pacientes com septicemia. Vimos também que, sem ela, os ratos não reagem à eletroacupuntura”, explica Juan Manuel. O resultado foi que, a partir da estimulação dos pontos, houve a inibição da produção de substâncias do grupo das citocinas que estão associadas à inflamação.

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Um fenômeno positivo igualmente surpreendente é o que se vê na área da medicina esportiva. “A prática dá ótimos resultados tanto para recuperar atletas como para aumentar a performance física”, assegura o clínico-geral Alexandre Yoshizumi, de São Paulo. Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina e do Centro Universitário de Maringá, ambos no Paraná, endossa a afirmação do médico. Após reunirem mais de 20 trabalhos científicos com atletas de diferentes modalidades, como ciclismo, handebol, basquete e velocistas de alto rendimento, os cientistas concluíram que a prática pode ser usada para aprimorar aspectos como velocidade, força de explosão, resistência e outras capacidades relacionadas ao desempenho esportivo. Os autores da revisão vão além. Eles defendem que um acupunturista desportivo já deveria estar presente nas equipes de alto rendimento, a fim de melhorar a performance final dos atletas.

Uma das explicações para esse tipo de efeito emergiu do trabalho feito pela pesquisadora japonesa Akiko Onda, da Escola de Ciências do Desporto da Universidade de Waseda, no Japão. Por quatro anos, ela estudou, em cobaias, os efeitos da acupuntura a nível molecular (na expressão dos genes) para conter a perda muscular. “Comprovamos que a técnica reduz a atrofia da musculatura esquelética, aquela que se liga aos ossos”, disse Akiko à ISTOÉ. De acordo com a pesquisadora, esse desfecho é consequência da ação das agulhas na expressão de genes associados a esse processo. O próximo passo será realizar o estudo em seres humanos.

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A exploração dos benefícios do método envolve também formas menos ortodoxas do que a conhecida introdução das agulhas. O ortopedista e acupunturista André Tsai, coordenador do curso de especialização em acupuntura da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, por exemplo, está utilizando fios cirúrgicos chamados CatGut (pronuncia-se catigu) para tratar a obesidade. A técnica está difundida nos Estados Unidos. “Insiro os fios, com a ajuda das agulhas, sob a pele, em pontos de acupuntura para ajudar no controle da ansiedade e do apetite”, diz Tsai. Como são feitos de material absorvível pelo organismo, não precisam ser retirados. “Os efeitos variam a cada paciente”, diz Tsai. “Evidentemente, o método não pode ser usado por pessoas que ainda não foram avaliadas por um médico para saber se apresentam doenças associadas ao excesso de peso”, ressalva.

A eficácia da prática contra o excesso de peso está evidenciada por várias pesquisas científicas. Entre elas, estão os resultados obtidos em um estudo publicado no jornal especializado “Acupuncture in Medicine”. No trabalho, foi constatado que a marcação de cinco pontos na orelha relacionados ao acúmulo de gordura (estariam vinculados à fome, ao estômago e ao sistema endocrinológico, entre outros) reduziu em 6% o Índice de Massa Corporal (IMC) de indivíduos com sobrepeso e obesos que participaram do experimento. Quando o estímulo foi aplicado em um único ponto (o da fome), a diminuição foi de 5,7%.

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NOVAS FRONTEIRAS
O médico Alexandre Yoshizumi, de São Paulo, usa a técnica
contra sequelas de AVC e lesões esportivas

Até áreas relegadas a segundo plano estão sendo revisitadas pelos médicos com formação em acupuntura. Na Universidade Federal de São Paulo, por exemplo, investigam-se os resultados do uso das agulhas para problemas estéticos como rugas faciais, flacidez nos braços, no pescoço, na parte interna da coxa, olheiras e cicatrizes de acne. Os ganhos são creditados à melhora da circulação sanguínea, da oxigenação e, acrescentando uma pitada de cultura chinesa, da energia vital circulante no local em consequência dos estímulos da eletroacupuntura. “Trabalhos realizados em nosso ambulatório confirmam clinicamente uma melhora na elasticidade. Indiretamente, isso mostra que ocorreu uma produção adequada de colágeno, embora isso não tenha ainda sido comprovado cientificamente”, relata a dermatologista Maria Assunta Nakano, responsável pelo Ambulatório de Acupuntura em Dermatologia do Setor de Medicina Chinesa da Unifesp. O colágeno é uma proteína fabricada pelo organismo e é responsável por dar sustentação à pele. A médica também adverte que só há benefício para rugas menos profundas.

A instituição paulista, que há três anos implantou um ambulatório de acupuntura voltado apenas para crianças, promete reforçar seu pioneirismo na área. “Em breve faremos estudos em humanos para analisar a eficácia das agulhas na prevenção de doenças em pessoas com graves problemas renais”, informa o médico Ysao Yamamura, introdutor do método na instituição.

Fotos: João Castellano/Ag. Istoé, Pedro Dias, João Castellano –Ag. Istoé, Gabriel Chiarastelli; Rob Forman

Fonte: IstoÉ